quarta-feira, 28 setembro, 2022

PC do Vietnã na luta pela libertação nacional e social

Era o dia 3 de fevereiro de 1930, e aqueles camaradas representavam organizações em operação clandestina na península Indochinesa, ocupada pelos colonialistas franceses

Ho Chi Minh em reunião do 3º Congresso do Partido Comunista do Vietnã I Foto: Nhân Dân

Na cidade de Kowloon, incrustrada na parte continental de Hong Kong, reuniram-se 7 delegados exatamente durante as festividades do Tet, o Ano Lunar chinês, o que lhes dava maior segurança de não serem perturbados ou mesmo presos por atividades revolucionárias.

A situação no Vietnã era extremamente perigosa para os que tinham algum compromisso com a luta de libertação nacional e a revolução social. Muitos líderes havias sido assassinados e encarcerados por suas atividades políticas

Era o dia 3 de fevereiro de 1930, e aqueles camaradas representavam organizações em operação clandestina na península Indochinesa, ocupada pelos colonialistas franceses. Dois deles representavam o Partido Comunista da Indochina, outros dois delegados do Partido Comunista Anamita, os camaradas Son e Mau de organizações comunistas regionais, e o representante do Comintern (a Internacional Comunista com sede em Moscou) Nguyen Ai Quoc.

A primeira parte da conferência de unidade política das organizações comunistas vietnamitas, reunida em um modesto hotel chinês, tratou de uma carta redigida pelo Comitê Executivo da Internacional Comunista e lida na reunião pelo seu representante Nguyen Ai Quoc, que 15 anos depois se revelou ser Ho Chi Minh. Nesta carta se dizia: “Na ausência de uma unidade comunista — quando o movimento operário e camponês levantava sua voz — o futuro da revolução na Indochina passa a ter perspectivas graves e perigosas”. E continuava: “A hesitação de alguns grupos em constituir um sólido Partido Comunista sem maiores delongas é um erro… A mais importante e urgente tarefa dos comunistas indochineses – hoje em dia – é fundar um Partido revolucionário do proletariado, ou seja, um partido comunista de massas”. Ao que Nguyen Ai Quoc acrescentou: “Sem um partido revolucionário unificado e combativo, a luta de libertação dos trabalhadores será como um navio sem leme, sem direção”.

No começo deste processo, alguns analistas consideravam que seria difícil chegar a um acordo, fruto de lutas internas muito acirradas entre dois jovens partidos constituídos no interior do país, o Partido Comunista Indochinês e o Partido Comunista Anamita. Mas gradualmente os debates foram se desenvolvendo naquele encontro, e com a capacidade de argumentação e convencimento demonstrado por Nguyen Ai Quoc, os delegados acabaram chegando a uma conclusão no dia 5 de fevereiro quando foi aprovada uma resolução pela unidade. Este documento, em seguida, foi aprofundado com uma espécie de programa partidário, onde se caracterizava o Vietnã como uma colônia semifeudal, no qual estava em curso uma revolução democrática-burguesa. Depois esta revolução foi denominada pelo programa como Nacional e Popular, uma revolução democrática. O objetivo do programa era destituir o domínio dos colonialistas e dos senhores feudais a eles alinhados, para garantir a soberania nacional, dar terra aos camponeses que nela queriam trabalhar e organizar um novo governo dos trabalhadores, dos camponeses e soldados, com um regime de liberdades democráticas para o povo, ao lado de constituir um exército popular de libertação.

O Partido assim constituído, se colocava na vanguarda da luta dos trabalhadores para unir o povo vietnamita, e lutar junto aos povos oprimidos de todo o mundo, mantendo a solidariedade com a classe operária internacional, especialmente ligado à luta dos trabalhadores e trabalhadoras do conjunto do país. Os delegados se comprometeram a resolver suas diferenças políticas e ideológicas e a cooperar para atingir a unidade de ação, elegendo um Comitê Central provisório para organizar o primeiro congresso partidário, trabalhando em conjunto, com base em princípios numa linha estratégica e tática para conquistar a revolução vietnamita.

Ao cair da noite do dia 5, Nguyen Ai Quoc providenciou um modesto jantar com os delegados presentes para comemorar o objetivo atingido de promover a unidade do Partido que ele havia acalentado por longos 20 anos de estudo, articulações e viagens ao redor do mundo e em atividades políticas e organizativas no Vietnã. Disse ele naquela ocasião: “O Partido Comunista do Vietnã foi fundado, é o Partido da Classe Trabalhadora. Ele irá ajudar os trabalhadores a lutarem pela libertação dos oprimidos e explorados. Irmãos e irmãs, juntem-se ao Partido, sigam-no, e o ajudem a derrotar os imperialistas franceses e o feudalismo vietnamita e a burguesia reacionária, ajudem-no a conquistar nossa independência e a estabelecer um governo dos trabalhadores, dos camponeses e dos soldados”.

E assim foi feito – fazendo do Vietnã um país socialista moderno, que se desenvolve celeremente, em aliança com os países da Asean, os membros da Associação dos Países do Sudeste da Ásia, e em cooperação com vários outras Nações ao redor do mundo.


Referências: “The Communist Party of Vietnam, From the first to the 12th National Congresses”, The Goi Publishers, Hanói 2018

“Ho Chi Minh”, Yevgeny Kobelev, Progress Publishers, Mocou, 1993

Fonte: Vermelho

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