segunda-feira, 24 junho, 2024

Da Argélia ao Vietnã, uma viagem de cooperação

Havana (Prensa Latina) Antes de chegar pela primeira vez ao Vietnã, em 1973, o histórico líder da Revolução Cubana, Fidel Castro, visitou a capital da Argélia para participar da IV Conferência do Movimento dos Países Não Alinhados (NAM).

Por Milagros Pichardo Perez

Escrita Nacional

Sobre as palavras de Fidel naquela reunião em Argel, Prensa Latina conversou com o proeminente jornalista cubano Eduardo Blas Yasells, que cobriu o evento e acompanhou o líder em sua passagem por diversos países. Yasells, temperado por décadas de experiência profissional, lembra como Fidel Castro deixou claro desde então que vinha de um país onde o socialismo marxista estava sendo construído, e alertou que as nações do NAM eram uma força contra o imperialismo, caracterizada pela guerra.

“Ele definiu a comunicação revolucionária como um desafio para os Estados membros do Movimento e, além disso, destacou como uma necessidade que as nações subjugadas, exploradas, colonizadas e neocolonizadas defendam e fortaleçam sua independência e soberania”, disse o escritor fundador da União dos Jornalistas Cubanos.

O ex-diretor da revista Verde Olivo disse à Prensa Latina que na Cúpula o líder cubano destacou sua posição de fortalecer o NAM para que elementos divisivos não penetrem.

Em sua opinião, a intervenção de Fidel Castro pode ser descrita como um ato de coragem política perante os 70 países que então faziam parte do Movimento.

Ele também lembrou o reconhecimento dado à cooperação da ilha com outras nações.

Embora o destino final da viagem fosse o Vietnã, explicou Yasells, Fidel Castro fez uma viagem naquele ano que incluiu paradas em Trinidad e Tobago e uma visita oficial à Guiana. Isso aconteceu antes de chegar a Argel, e a imprensa não participou dessa viagem ao Caribe, explicou.

Após a IV Conferência do NAM na Argélia, após uma escala técnica em Bagdá, capital do Iraque, chegou à Índia o então primeiro-ministro de Cuba.

No Iraque a estadia foi breve e passamos por um calor extremo; na Índia, porém, o tempo foi diferente, a nebulosidade e a chuva atrapalharam o pouso, comentou o jornalista.

Naquele país, o líder cubano foi recebido por uma multidão e trocou impressões com a primeira-ministra, Indira Gandhi. Ali soube de tristes notícias que ofuscaram as comemorações de sua estada.

“Foi em território indiano que Fidel Castro ouviu a notícia do golpe de Augusto Pinochet no Chile e da morte de seu amigo Salvador Allende defendendo o Palácio de la Moneda”, disse o entrevistado.

E ELES CHEGARAM AO VIETNÃ…

O carinho que o Vietnã ofereceu ao revolucionário cubano foi como um bálsamo. A recepção foi massiva e efusiva, conta Yasells, as pessoas lotaram as estradas para saudar o homem que teve a graça de visitar o país, mesmo quando a região sul ainda estava em conflito.

“Por orientação de Fidel e por questões de segurança, a equipe de imprensa da qual fazia parte permaneceu na zona liberada; ele havia decidido que era melhor não o acompanharmos até a parte do Vietnã do Sul, onde a guerra ainda estava acontecendo”, disse ele.

Após seu retorno, eles souberam que ele usou a famosa passagem de Ho Chi Minh para chegar àquela área, rota usada pelos vietnamitas para transportar os recursos materiais e humanos necessários.

Apesar de não ter acompanhado o líder da nação caribenha à zona de conflito, ele guarda como lembrança agradável a torcida que o aplaudiu.

Ele também guarda a experiência de ter compartilhado com um povo humilde, com alto nível de comprometimento e resistência, onde homens e mulheres lideraram igualmente a libertação do território.

Na opinião de Yasells, a relação entre as duas nações foi selada com a visita de Fidel, mas não parou por aí, mas a cooperação entre dois países geograficamente distantes, embora muito próximos por sua ideologia e constantes demonstrações de heroísmo, continua se fortalecendo.

arb/mpp

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